A Transfero já tinha a infraestrutura. O contrato com a Zona Sul rede de supermercados mais tradicional do Rio era a prova de que o produto precisava escalar. Analisei o que era necessário para atender três canais de venda de forma incremental: PDV do caixa, autoatendimento e e-commerce VTEX.
O Crypto Checkout da Transfero já existia como infraestrutura para quebrar a barreira entre moedas permitindo que pequenos comerciantes aceitassem stablecoins sem precisar entender cripto. O contrato fechado com o Zona Sul mudou o tamanho do problema: agora era necessário escalar para uma rede de supermercados com múltiplos canais, operadores de caixa sem conhecimento técnico e clientes em fila esperando.
PM
Analisei o que precisava ser adaptado para atender os três canais de forma incremental priorizando o PDV do caixa como ponto de maior volume e maior atrito, e definindo o fluxo mínimo viável por canal antes de iterar com feedback da Zona Sul.
Product Designer
Desenhei os fluxos de cada canal considerando os perfis de operador distintos: o caixa que não pode travar a fila, o cliente de autoatendimento que precisa de autonomia, e o comprador online que precisa de confiança.
O mesmo produto precisava funcionar em contextos radicalmente diferentes. A análise de canais foi o ponto de partida para definir o que adaptar e em qual ordem entregar.
Abordagem incremental
O app do caixa foi priorizado por ser o canal de maior volume. Cada iteração com feedback real da Zona Sul informava os ajustes necessários antes de avançar para o autoatendimento e e-commerce.
Criamos materiais de treinamento para os operadores, mas a alta rotatividade do time de frente tornou o modelo insustentável. A dependência de um hardware extra (celular) também gerou atritos como baterias descarregadas ou aparelhos guardados por segurança. A integração direta com o software de PDV da rede é o próximo passo para eliminar o treinamento constante e garantir disponibilidade total.
A principal decisão de design do PDV foi que o operador de caixa nunca vê cripto ele só vê BRL. É ele quem digita o valor da compra em reais, e o sistema faz toda a conversão em segundo plano. O operador vira um facilitador: pergunta ao cliente qual moeda e qual rede, seleciona a resposta, e gera o QR. Tudo em menos de 30 segundos.
Alfabetização por Design
No varejo físico, cripto tem 30 segundos para parecer normal. Qualquer vocabulário técnico cria hesitação; hesitação cria abandono. A estratégia não foi simplificar os conceitos: foi removê-los da experiência do usuário final.
"Not your keys, not your coins. Guarde sua seed phrase."
O usuário viu
Saldo: R$ 2.450,00
O Transfero App é custodial. Sem chave privada, sem seed phrase. Para o cliente do supermercado: o mesmo saldo de qualquer banco digital.
"Taxa variável em ETH. Às vezes maior que o valor enviado."
O usuário viu
Taxa: R$ 0,00
Pagamentos via Transfero App são off-chain: taxa zero. Para carteiras externas, a fee aparece em BRL antes da confirmação. Nunca uma surpresa depois da transferência.
"CPF, selfie, comprovante de residência. Aguarde aprovação em até 3 dias."
O que não apareceu
Nenhuma tela de verificação no checkout
O KYC acontece no onboarding do Transfero App, antes do primeiro uso. Na fila da Zona Sul, o cliente já chega verificado. A tela de checkout nunca pede um documento.
"Solana, Polygon, Tron, BSC? Rede errada = perda irreversível."
Instrução na tela do operador
"Pergunte ao cliente qual rede ele quer usar"
A decisão de rede foi delegada: o operador pergunta, o cliente responde a partir da sua própria carteira. A confirmação exibe a rede em destaque para validação. Via Transfero App, a etapa desaparece completamente.
"O preço muda a qualquer segundo. Você sabe quanto vai pagar?"
O usuário viu
R$ 89,90 · válido por 30s
O operador digita em BRL. O sistema converte em cripto em tempo real. O countdown comunica que a janela de pagamento é temporária sem usar o termo "cotação" em nenhum momento.
Design para o não-técnico
O cliente da Zona Sul completou pagamentos em cripto sem saber o que é blockchain, gas fee ou seed phrase. Esse é o padrão que toda fintech de massa precisa atingir: a tecnologia tem que ser invisível para o próximo bilhão de usuários.
Fluxo PDV Visão do Operador de Caixa
Quando o cliente usa o Transfero App, a transação vai offchain, entre carteiras Transfero, sem precisar escolher rede blockchain nem pagar gas fee. A etapa mais técnica do fluxo desaparece. O operador de caixa tem um gancho natural para recomendar o download caso o cliente ainda não use o app, reduzindo o próximo pagamento a um fluxo ainda mais direto.
Fluxo padrão
Com Transfero App
Checkout Web VTEX
No e-commerce, o desafio era diferente: integrar o cripto como método legítimo sem parecer experimental. A opção aparece ao lado de Pix e cartão, com o mesmo padrão visual do checkout da Zona Sul. O cliente seleciona a moeda, escolhe o método de pagamento e é direcionado para a confirmação.
1. Entrada: Opção "Cripto" integrada como método de pagamento no checkout da rede.
2. Seleção: Ambiente seguro Transfero para escolha da moeda cripto.
3. Confirmação: Revisão final dos dados e taxa zero via Transfero App.
O lançamento do Crypto Checkout na Zona Sul gerou cobertura ampla na mídia nacional, posicionando a Transfero e a rede como pioneiras na adoção de stablecoins no varejo alimentar brasileiro. A abordagem incremental permitiu entrar em operação rapidamente, com o PDV do caixa funcionando antes mesmo de todos os canais estarem prontos.
Cobertura na mídia
Aprendizado
O maior insight do projeto foi que tornar cripto acessível em varejo físico não exige educar o operador sobre blockchain exige remover a blockchain da visão dele completamente. O operador de caixa opera em BRL do começo ao fim. O sistema faz o resto.